Outubro foi aquele mês que fugiu totalmente do script e ele deu indícios de como seria já no final de setembro. No dia 24/09 recebo uma ligação da creche do Joaquim e o coração começa a acelerar, porque essa é uma ligação (com mensagem no whatsapp) que toda mãe sabe que pode receber, mas torce para nunca receber.
"Joaquim caiu, bateu o braço no chão e está inchado. Você pode vir buscá-lo?"
"Oi, é a Gabi, acabei de ver a mensagem e já estou indo buscar ele. Você acha que vai ter que levar na Santa Casa?"
"Sim, acho que vai"
Esse foi o breve diálogo que tive com a diretora da creche. Desliguei o telefone, peguei a minha bolsa, coloquei a cadeirinha no carro (tinha tirado para lavar a capa dela, porque estava toda mofada), avisei os meus sogros o que tinha acontecido e que estava indo buscar o Joaquim, e antes de sair com o carro mandei uma mensagem para o Roberto sobre o que aconteceu.
Já tinha quase 2 semanas que não dirigia e me surpreendi com a calma que mantive até chegar na creche. O coração não acelerou e os pés não tremeram. Eu só fui.
Tive que estacionar longe da creche, porque não encontrei vaga e não me arrisco a subir um morro que tem no estacionamento da creche. Mas, Graças a Deus, a diretora levou a gente onde eu tinha estacionado o carro.
Antes de ir para a Santa Casa, já tinha falado com o Roberto por telefone e ele já estava na porta do hospital esperando a gente, porque as chances do Joaquim ter quebrado o braço eram grandes e passar por isso sozinha, não estava nos planos.
Aqui, quero fazer um agradecimento especial ao Roberto que colocou a família dele em primeiro lugar e assim que soube o que aconteceu com o Joaquim só avisou a coordenadora dele e foi encontrar a gente. Eu sei que não são todos os pais que fazem isso e que essa responsabilidade sempre fica só com a mãe. Te amo mozão.
Chegamos na Santa Casa, teve muito choro para o médico conseguir olhar o braço, teve choro para tomar o remédio para dor, teve choro para tirar o raio-x. Diagnóstico: radio e ulna quebrados. Sim, dois ossos quebrados.
Em Guararema não tem ortopedista na Santa Casa, então tivemos que aguardar a transferência para um hospital em Mogi Das Cruzes e fomos direcionados para a Santa Casa. Primeira vez do Joaquim e minha andando de ambulância. Para o Roberto, já era a segunda vez.
Na Santa Casa de Mogi o atendimento foi rápido. O médico do plantão tentou fazer redução (de forma simples é colocar os dois ossos no lugar) e colocou uma tala para imobilizar. Nessa hora eu não me aguentei e chorei. O Roberto que estava segurando o Joaquim enquanto ele gritava e chorava. E mal eu sabia que esse seria o meu primeiro choro vendo o Joaquim chorar.
Chegamos em casa quase meia-noite e a primeira coisa que fiz foi agradecer a Deus por estar em casa e pelo Joaquim já estar sem dor. Os primeiros dias com o gesso ele teve febre, reclamou um pouco de dor, mas no quarto dia o gesso já tinha incorporado na rotina e ele voltou a ser criança. Correr, pular e brincar. A frase que mais tenho dito é "Joaquim, cuidado com o braço".
Observar como ele se adaptou com o gesso foi um tapa na cara me mostrando que tenho que reclamar menos e procurar formas de fazer as coisas, quando algo não está como gostaria. No caso dele, ele não queria estar com o braço quebrado mas isso não o impediu de brincar, de comer sozinho, de descer sozinho do vaso sanitário, de escrever e pintar. Ah, esqueci de falar que ele quebrou o braço direito, então tudo que ele esta fazendo é com o braço esquerdo.
Até que chegou o dia do retorno pra ver como o braço estava e recebemos a notícia que não queríamos receber, "um dos ossos não ficou no lugar e ele vai precisar fazer a cirurgia". Sim, já sabíamos dessa possibilidade desde o dia que ele quebrou, mas o médico queria tentar primeiro a redução, para, quem sabe, evitar que ele passasse pela cirurgia. Mas, infelizmente, não deu certo.
A consulta foi em uma quinta-feira e o médico marcou a cirurgia para sábado, com internação na sexta-feira. Voltamos para casa já pensando em todas as adaptações que iríamos fazer nos próximos dias (Roberto e eu). Contei para o Joaquim que íamos dormir no hospital porque ele ia ter que operar o braço. Ele ficou um pouco assustado, mas eu prefiro contar a verdade e já ir preparando ele para o que vai acontecer, do que deixar ele descobrir na hora.
Mais um dia acordando às 4h20 da manhã (era o segundo seguido) e dessa vez só iríamos voltar pra casa depois da operação (esse era o objetivo). Fizemos todos o procedimento de internação e a parte mais dolorosa foi o momento de colocar o acesso no Joaquim pra colher sangue, e ele já ficar com ele por conta da cirurgia. Além do Roberto e de mim para segura-lo, também precisou de duas enfermeiras para fazer o procedimento. Teve muito, mas muito choro. E tiveram muitos gritos. Acesso colocado, quarto liberado, subimos e o Roberto foi embora, só podia ficar um acompanhante e ele precisava trabalhar.
O quarto que ficamos era ótimo e preparado para receber crianças. As paredes tinham desenhos de aviões e tinham muitos brinquedos. O Joaquim amou e brincamos até cansar.
Até que chegou o período da noite e eu comecei a sentir que algo não estava certo e quando a enfermeira me disse que a dieta do Joaquim ainda estava liberada após a meia-noite, na hora soube que ele não iria operar no sábado.
Sábado pela manhã as enfermeiras não sabiam de nada sobre a cirurgia e nenhum médico ainda tinha passado para ver o Joaquim, até que, por volta das 10h apareceu um que não sabia do caso do Joaquim, mas que foi atencioso com a gente e foi descobrir o que aconteceu e quando seria a cirurgia. Quando ele voltou as notícias não eram boas e naquele fim de semana o Joaquim não seria operado, porque o quadro de cirurgia estava cheio e não tinha vaga pra ele, apenas para terça-feira. O meu coração despedaçou com essa notícia.
O médico conseguiu dar alta para que a gente fosse pra casa e voltasse só na segunda-feira para internar (de novo). E também deu um papel garantindo que a cirurgia seria na terça-feira. Houve mais choro pra tirar o acesso, mas fomos embora e passamos o fim de semana em casa.
Segunda-feira tivemos que fazer os mesmos procedimentos, com a diferença de que o acesso na mão do Joaquim só foi colocado durante a cirurgia. Fizemos esse pedido para as enfermeiras e para o médico cirurgião. E na terça-feira, próximo das 11 horas eu saía do centro cirurgico deixando o Joaquim nas mãos de Deus e dos médicos, para que ele fosse operado.
Acredito que a cirurgia durou 50 minutos e assim que terminou a enfermeira me chamou pra ficar com o Joaquim na sala de recuperação, para ajudá-lo a acordar com calma. O braço dele estava com um curativo no local que foi feito o corte pra colocar o fio e enquanto ele ainda dormia da anestesia, foi colocado a tala com gesso.
"Mamãe, eu tive um sonho ótimo". Essa foi a primeira frase que ele disse quando acordou (ainda um pouco grogue da anestesia) e ouvir isso me deixou muito feliz, por saber que a lembrança que ele vai ter da cirurgia será positiva.
A todo momento eu ia atualizando as pessoas sobre a cirurgia do Joaquim e assim que descemos para o quarto, a nossa ansiedade (minha e do Joaquim) era para que chegasse logo o dia seguinte para receber alta.
Quarta-feira, próximo das 12h, já estávamos no carro indo para casa.
Outubro foi um mês que a maternidade ocupou (e continua ocupando) 80% do meu tempo. Tive que avisar todas as minhas clientes de Social Media do que tinha acontecido e que eu iria ficar mais off em alguns dias. Tive que adaptar uma reunião de apresentação de planejamento de comunicação para o Whatsapp; tive que rever as demandas de cada cliente e reorganizar as prioridades: tive que abrir mão da produção dos meus conteúdos para focar 100% na comunicação das minhas clientes; tive que criar uma nova rotina de trabalho e cuidados com o Joaquim.
Outubro foi um mês que me lembrou que eu não tenho o controle de tudo e que preciso focar naquilo que consigo resolver e que está ao meu alcance, e o restante deixar nas mãos de Deus. Foi um mês que o meu estresse teve um novo pico e se manifestou no meu corpo com um nova queda de cabelo e muitas bolinhas no rosto. Foi um mês de bastante cansaço e preocupação. E foi um mês muito abençoado por Deus. Ele se fazendo presente nos momentos que mais precisei e me lembrando que sou filha Dele e que não estou sozinha.
E o que esperar de novembro? Eu espero um mês refrescante, de muitas alegrias, volta de alguns hábitos e retirada do fio do braço do Joaquim para que ele fique 100%.